Era uma manhã ensolarada e fazia muito calor apesar de ser 09:00 horas, o dia estava realmente quente , o céu um azul intenso sem nenhuma nuvem, o vento nem se atreveu passar por ali naquela manhã, mas nem ligávamos só queríamos era nos divertir afinal, de contas era domingo, nosso ultimo dia para brincar porque na segunda teríamos que ir a escola, estudar e estudar, brincávamos de casinha, passar o anel, adivinhar a música, mímica, foram tantas brincadeiras que nem consigo lembrar, de todas só uma que ficou bem marcada em minha memória, a brincadeira de esconde- esconde, essa foi a última que fizemos naquele dia, porque foi através dela que nossas vidas mudaram.
Estávamos brincando de esconde-esconde, procurando um lugar que não fosse fácil para nosso colega achar, foi quando nos deparamos em frente da casa amarela, aquela era a temida, a residência dos Wolf, já há muito tempo abandonada e com suas paredes pintadas de amarelo que já estava desbotado pela ação do tempo, sim ali seria o lugar perfeito. O Pierre que era o colega que deveria nos procurar nunca poderia nos achar ali, já que tinha medo daquela casa porque todos falavam que era mal assombrada e que coisas ruins aconteceram no passado naquele lugar.
Como eu e a maioria da turma éramos maiores que ele e estávamos juntos, achamos melhor nos escondermos ali e quando o Pierre menos esperasse agente salvavam a todos e ele sempre ia ser o vigilante a nos procurar.
Então estava combinado iríamos nos esconder naquela casa velha e abandonada, para entrar tivemos que passar por um portão de madeira caindo aos pedaços que fez um barulho para abrir, confesso que deu arrepios, nessa hora olhamos um para o outro e Kleber, o mais velho, disse: “vocês estão com medo de que? É só um portão velho e enferrujado por não ser usado há muito tempo...”
Então tomamos coragem e seguimos em frente, afinal já éramos grandes e não íamos dar importância a contos de fada, passamos pelo jardim, quer dizer o que ficou do jardim só mato e algumas trepadeiras trazidas pelos pássaros que por ali passavam . A piscina ou o que restava dela agora era apenas um deposito de folhas secas e sem falar nas gigantescas arvores com seus galhos enormes que dava um certo ar de mistério e medo ao ambiente reforçando assim o que todos falavam daquele lugar.
Enfim, chegamos à frente da casa, adentramos na varanda e todos pararam, ficamos assim alguns minutos que pareceiam uma eternidade, ninguém balbuciou um só som, eu particularmente prendi a respiração, o que vimos foi uma cadeira velha caindo aos pedaços e nela estava uma pessoa sentada, e quase deixei sair um grito horripilante que travou na minha garganta. Minhas pernas tremiam tanto que tinha a sensação que ia cair a qualquer momento, confesso já estava arrependida de ter ido me esconder naquele lugar.
Aquela cadeira nos tirou do serio, mas foi ai que o Kleber que estava mais próximo quebrou o silencio com uma gargalhada que invadiu todo o ambiente, nesse mesmo momento todos assustados deram um passo para atrás, nada disso, quase saímos correndo de lá... Mais logo ele falou, ei gente calma voltem, é apenas uma boneca gigante, descabelada largada nessa cadeira a muito tempo, ufa! Todos tiveram a mesma reação, rirmos muito, e pensei, “o que o medo num faz hein?” Após cada um olhar a boneca sobre a cadeira como se quiséssemos conferir se era o que o Kleber tinha falado. Resolvemos ir mais alem, nossa curiosidade agora estava maior apesar do medo, ao deixar a boneca para trás passamos por uma mesinha redonda ainda sobre ela estavam duas xícaras um bule e um prato vazio que imaginei que nele deveria ter bolo ou biscoitos, pensei “alguém tomou chá ou café por aqui e esqueceu de recolher isso”, qual seria o motivo para o Wolfs saírem assim, deixando tudo para trás? O que teria acontecido com eles? Perguntas só perguntas sem respostas, mas já que estávamos ali poderíamos tentar desvendar todo esse mistério e acabar de vez com os comentários sobre a Casa Amarela.
A varanda acompanhava toda casa, e fomos passo a passo dando a volta ao redor dela e para nossa surpresa vimos que a porta da cozinha estava semi- aberta, hesitemos mais o Kleber disse, “já que estamos aqui vamos ver o que tem lá dentro”.
Assim foi feito, nessa altura Pierre já estava cansado de nos procurar e resolveu voltar para a casa, achando que nós já tínhamos ido embora e feito ele de bobo.
Mas a nossa aventura estava apenas começando e nem imaginávamos o que poderíamos encontrar naquele lugar, além de fantasmas...
Entramos na casa, nossa, eram tantas teias de aranha, folhas, secas das árvores, poeira sem falar na bagunça que estava por lá, cadeiras caídas pelo chão, algumas quebradas, um fedor de mofo muito forte misturado com lixo. Vimos um gato preto sair correndo de trás de um baú, com isso sentimos mais medo ainda, afinal, falam que é já é ruim ver um gato preto, agora imagina nessa situação...
Fiquei a observar tudo ao meu redor, a mobília ainda estava boa apesar de algumas coisas já estarem deterioradas pelo tempo, podíamos ver que os móveis foram feitos com madeira de boa qualidade, em fim tudo era de um bom gosto muito requintado, apesar da sujeira e do desprezo em que se encontravam, imaginei tudo aquilo à anos atrás, as festa, as reuniões, almoços tudo que aconteceu naquela casa, e a pergunta sempre ficava na boca dos moradores da redondeza, “o que teria acontecido ali para abandonarem tudo assim”, e agora eu perguntava isso também, voltei dos meus pensamento e me dei conta que o chão era coberto por um tapete vermelho, lógico que surrado pelo tempo já estava cheio de furos, percorremos toda a sala e levamos muitos sustos pelos ratos, baratas, besouros, aranhas gigantescas que subiam e desciam tecendo suas teias e pelo telhado já bastante destruído , nos propiciava em meio a toda aquela bagunça e sujeira um belo espetáculo, era o seguinte, através das telhas quebradas entravam raios do sol fazendo com que os fios das teias ficassem de varias cores dando um aspecto menos pavoroso e até deslumbrante naquele lugar, ri baixinho e resolvi me concentrar no que o pessoal estava fazendo.
E com cuidado para não nos machucarmos, fomos olhar mais dois cômodos que davam continuidade a sala, acho que deveria ser a cozinha ou a copa, mas resolvemos ir lá em cima, o resto ficaria pra depois, com todo cuidado fomos subindo devagar e segurando na parede e no corrimão que acompanhava de um lado e do outro da escada, podemos observar quadros que tinham fotos de pessoas e Kleber disse que deveriam ser dos que viveram ali, foi quando tive a idéia de tentar endireitar um desses quadros que estava fora do lugar, quando fui ajeitá-lo sentir o chão se abrir em baixo de mim e então deslizamos rapidamente por um túnel liso, frio e escuro, acredito que estávamos a mais de 80km por hora, todos gritávamos e o eco de nossos gritos eram repetidos e misturados a cada grito fazendo assim um confuso e estarrecedor som, até que chegamos ao fim e caímos em algo melequento e gelatinoso, tentei levantar mais escorregava, estava tudo muito escuro não tinha como saber onde e nem como era aquele lugar, foi quando o silêncio foi quebrado pela voz do Kleber , “gente todos estão bem?”, E começou a falar os nossos nomes “Johnny... Laís...” E respondíamos com a palavra sim, após sabermos que estávamos todos bem, sem grande machucões, resolvemos tentar ficar juntos de mãos dadas essa foi a parte difícil, estava tudo escuro e não sabíamos se o lugar era grande ou pequeno, nem um som além das nossas vozes.
A escuridão daquele lugar nos levava constantemente a imaginar que alguém nos observava ali a gente não via, mais tínhamos a impressão que não estávamos sós. Naquele lugar tinha oxigênio só não sabíamos até quando íamos telo... O que era curioso é que aquela massa ou gelatina que amorteceu nossas quedas não nos molhava era apenas fria, eu tentava tocá-la e senti-la mais ela não tinha consistência e escorregava pelos meus dedos... Kleber falou, “vamos procurar uma saída, mas antes vamos tentar dar a mãos, quando cada um encontrar o colega pegue na mão dele e parta para procurar o outro de forma que todos estejam de mãos dadas” e assim foi feito, não sabemos por quanto tempo passamos assim procurando uns pelos outros, mas sei que demorou bastante.
Já com todos achados e de mãos dadas partimos para a mesma direção devagar e com cuidado, na primeira vez não foi fácil, teve gente que caiu, escorregou bastante, mais conseguimos andar muito e tivemos a sensação de que o lugar era bastante grande, foi quando conseguimos ouvir um som de água, como se fosse uma grande queda d’água pensei em voz alta, “parece uma cachoeira, será?...” E continuamos devagar caminhando em frente todos de mãos dadas. Foi quando o silencio foi quebrado por Johnny, “gente vamos passar nossas mãos de forma que fiquemos abraçados entrelaçados uns nos outros é mais seguro porque se alguém cair podemos evitar a sua queda e não corremos o risco de largar a mão do outro”, todos concordamos e assim passamos andar abraçados.
O Som das águas foram aumentando e com isso também começamos a sentir o ar umedecer então eu disse pela minha experiência de escoteira, “galera tem uma cachoeira por perto posso sentir o cheiro da água e esse som e de uma queda d’água, temo que a caminhada possa ficar mais escorregadia daqui pra frente, mais vamos conseguir chegar a um lugar...”
Foi quando Johnny falou “gente vocês nem vão acreditar”, e todos responderam ao mesmo tempo “o que foi?” Ele falou “lembrei que coloquei na minha jaqueta hoje uma pequena lanterna”, a peguei porque imaginei que iríamos observar na arvore da praça a casa das formigas de roça... Laís disse, “cara isso é uma relíquia procura ela ai vamos parar, mas de forma que todos fiquem juntos para não correr o risco de nos perdermos , assim foi feito paramos e nos soltamos para que o Johnny procurasse a lanterna... Quando ele achou todos bateram palmas e gritaram “hipê hipê hurra”, bom a lanterna não era lá essas coisas, mas ajudou bastante. O foco dela nos deu a visão de não ter que nos deparar com algo a nossa frente, pelo menos a um metro de distancia, já era alguma coisa pra, quem num via um palmo além do nariz.
Resolvemos prosseguir assim nos abraçamos novamente e seguimos o som das águas eram cada vez mais próximo mais o lugar ainda era escuro, percebemos que estávamos descendo, pois o terreno começou a declinar...
Paramos e o Kleber falou “gente não sabemos o que vem pela frente estamos andado há horas e até agora nada mudou apenas o som das águas ficaram mais próximas e a umidade aumentou, mas não sei se vocês sentirão a mesma coisa que eu, meus pés estão ficando molhados... Isso quer dizer que em breve podemos ter água sobre os pés em vez dessa massa gelatinosa...”
Não sei se isso seria bom ou ruim, ninguém tinha idéia do que iria acontecer conosco, estávamos todos cansados e famintos, a boca seca pedia água, mas prosseguimos, combinamos que não pararíamos até achar a saída.
Aos poços a água ia subindo já não sentíamos a gelatina mais a água era morna e isso nos deixou mais aliviados porque temíamos o frio, nesse momento escutamos o som de asas sobre nossas cabeças e Johnny falou “não temam são apenas morcegos”, então lhes disse “morcegos? que bom”, então disse Kleber “vamos seguir o som dos morcegos se eles entraram nesse lugar é porque existe uma saída”, e assim fizemos, após caminharmos bastante e com água quase chegando na cintura sentimos uma brisa gelada em nossos rostos, para nossa alegria claro, isso significava que a saída estava próxima andamos mais uns 500 metros acredito, vimos algo muito longe que parecia um vagalume e na medida que íamos a avançando ia crescendo e pudemos ver que era uma luz amarela, nossa, foi com tamanha alegria e com nossos corações saltando do peito e quase sem fôlego que percebemos que essa luz era da boca de uma manilha dessas gigantes que o pessoal coloca em esgotos, então resolvemos passar nela um atrás do outro em fila mas com muito cuidado ... E foi nesse momento que chegamos a boca da manilha e a surpresa foi tamanha, estava lá o guarda olhando assustado para nos e perguntou “...ah! então eram vocês? fazendo esse barulho todo “, quando íamos explicar, eu ouvir minha mãe chamar, ai o susto foi maior dei um pulo para frente e quase caí da cama. Foi quando percebi que tudo não passou de um sonho... Levantei, fui olhar pela janela e lá estava à casa amarela no mesmo lugar, dando seu ar sinistro na esquina da rua 45...
Por: Isis Chagas

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